Quatro horas da manhã e ela olhava agoniada para o relógio incessantemente, seus olhos piscavam repetidamente ao ouvir as gotas d'água caírem na pia. Não passavam os minutos e a tontura ainda fazia parte dela, logo iria adormecer ou era o o que ela queria pensar.
Sentia o sangue escorrer pelo seu corpo e não se importava nem um pouco, algo ali lhe dava uma sensação de satisfação por mais que quisesse demonstrar sua dor.
No mesmo segundo ouviu um barulho estrondoso vindo do lado de fora da casa.
- Não é possível! Essa hora não costuma passar alguém pelas ruas.
Pensou enquanto sua agonia se misturava com a curiosidade e pavor.
Atreveu-se a olhar rapidamente pela janela e viu um corpo caído no chão, por mais escuro que estivesse conseguiu ver que era um homem, mas não se estava vivo.
- Será que deveria ir lá ajuda-lo? Falou em um tom baixo olhando para o seu reflexo esdrúxulo no espelho. A dúvida lhe tomou a mente e o pânico também, enquanto pensava observava o rastro de sangue que deixara pelo quarto. Após ficar um minuto na inércia resolveu tentar esquecer o corpo esticado na rua e lavar seu corpo imundo.
Sentia o sangue escorrer pelo seu corpo e não se importava nem um pouco, algo ali lhe dava uma sensação de satisfação por mais que quisesse demonstrar sua dor.
No mesmo segundo ouviu um barulho estrondoso vindo do lado de fora da casa.
- Não é possível! Essa hora não costuma passar alguém pelas ruas.
Pensou enquanto sua agonia se misturava com a curiosidade e pavor.
Atreveu-se a olhar rapidamente pela janela e viu um corpo caído no chão, por mais escuro que estivesse conseguiu ver que era um homem, mas não se estava vivo.
- Será que deveria ir lá ajuda-lo? Falou em um tom baixo olhando para o seu reflexo esdrúxulo no espelho. A dúvida lhe tomou a mente e o pânico também, enquanto pensava observava o rastro de sangue que deixara pelo quarto. Após ficar um minuto na inércia resolveu tentar esquecer o corpo esticado na rua e lavar seu corpo imundo.
A água estava gelada, já que não pode consertar o chuveiro, na realidade fazia um tempo que não se importava com algo. Ligou mesmo assim e sentiu a água cair pelas suas costas que ardiam ferozmente. Umas luzes repentinas surgiam a sua volta e começou a rodar seu corpo e a medida que ficava mais tonta as enxergava cada vez mais intensas e para piorar a situação de fundo escutava uma risada extremamente irritante e debochada. O tempo realmente não passava para aquela pobre garota. finalmente vencida pela sua própria mente ela socou os azulejos causando um pequena e visível rachadura.
- SAIAM DAQUI! SAIAM DAQUI!
Ela gritava o mais alto possível, parecia tentar lutar contra algo dentro de si mesma. Sua voz falhava em todo fim de frase então suspirou o mais fundo possível e deitou na banheira.
Dessa vez o tempo lhe deu trégua e passou rapidamente, só que ela havia adormecido em um sono pesado.
Finalmente eram dez horas da manhã e as buzinas altas acabaram por acorda-la. Levantou-se desnorteada a procura de alguma toalha e apenas encontrava uma de rosto jogada no chão deu de ombros e agachou para pegar. Olhou para aquela pequena toalha rosa e viu a quantidade de manchas de sangue que haviam nela, revirou os olhos e bufou se secando lentamente.
O telefone tocou, grunhiu caminhando nua e o atendeu.
- Julia?
Era um homem com uma voz um tanto grave no outro lado da linha. Ela não entendia nada, arregalou os olhos e respondera.
- Ju-julia? Esse é meu nome? Quem é? m-m-m-me diz???
Balbuciou enquanto seu corpo tremia descontroladamente e abriu os olhos. Era quatro e quarenta e um levantara correndo da banheira, não era possível distinguir o que era suor ou água.
- Que pesadelo!
Exclamou enquanto procurava uma toalha, como em seu sonho só encontrou a toalha de rosto rosa atirada no chão ensanguentada. Desistira de pega-la pois sua mente bloqueara aquela ação por medo. Novamente o telefone tocou, dessa vez não fez nenhum esforço para atender e se limitou a colocar uma roupa quente pois uma frente fria havia tomado conta do seu quarto.
Desesperadamente procurava algum cigarro pela casa e estava ali, em baixo da cama do lado de um par de meias. Sentou-se na cama, acendeu e tragou duas vezes seguidas enquanto tentava de alguma forma não pensar. Sabia que desse jeito não funcionaria portanto pegou as moedas espalhadas pelo móvel e resolveu sair para comprar mais um maço. Ao abrir sua porta deparou-se com o homem deitado em seu tapete, o grito que soltou foi o suficiente para acordar a vizinhança inteira, que obviamente ligaram suas luzes e olharam pela janela. O homem se mexia pouco e parecia estar mais desnorteado que a própria garota. Sua consciência dizia para ligar para polícia ou simplesmente expulsa-lo para fora dali, mas por algum motivo puxou o corpo para dentro de sua casa.
- Á-á-água... por... favor... Disse o homem misterioso.
Ela não hesitou e foi a procura de um copo, havia apenas um limpo e era na realidade sua caneca preferida com desenhos de zebras que seu pai lhe dera de presente antes de morrer. Suas lembranças passaram em um segundo na cabeça, balançou-a pra lá e pra cá e emburrou consigo mesma enquanto colocara o copo no filtro. Entregou receosa a caneca para aquele homem estranho, mas algo nele a fazia se sentir bem.
- Está tudo bem? Perguntou em um tom de preocupação.
- Não... A voz grave do homem sumia a medida em que tentava falar.
Aquele olhar doce que aquele homem possuía encantava cada vez mais o coração daquela sofrida jovem. Parecia estar amando a primeira vez, era estranho demais para si mesma. Arqueou a sobrancelha e quebrou a caneca na cabeça dele. Ao mesmo tempo que sentia algo crescer dentro de si mesma ela não queria que ele fosse embora e simplesmente vivesse. Avistou uma tesoura em cima do baú onde guardava seu passado e a pegou, amarrou o homem da melhor forma que podia, apagou todas as luzes e fechou todas as cortinas.
Ela queria suicídio, mas parecia querê-lo mais que isso. Teve uma idéia, esticou seu braço e abriu a boca do rapaz olhou bem para sua feição que aos seus olhos era incrivelmente bela e pronto. Cortou sua língua. Acordando amedrontado ele não pode nem gritar, eram apenas ruídos irreconhecíveis e lágrimas sem fim.
Seus olhos pareciam perguntar "por que?" mas ela sorria enquanto suas lágrimas também escorriam.
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